ARTIGOS
 
"Lectura Pedagógica de la Realidad Vasco-Brasileña" livro de Arantxa Ugartetxea Arrieta
 


Apresentação

Com o título Leitura pedagógica da realidade basco-brasileira, queremos expressar a reflexão à qual nos levou este trabalho, ou seja, àqueles que dele participaram; procurando valorizar a partir do ângulo pedagógico aquilo que supõe a viagem real que se vivencia na constante interação de ambas as realidades culturais: Basca e Brasileira.

Ambas são portadoras de emoções, como bem manifestam as palavras dos interlocutores, quando de maneira repetitiva falam de uma emoção basca que permanece em relação às já Jntegradas histórias brasileiras. Entrevistamos mais de 50 pessoas, para sentir de perto esta realidade de forma personalizada, familiar e social; levando em consideração, além disso, que dois dos autores deste trabalho fazem parte dessa comunidade basca que se estende além da própria Euskal Herria (País Basco).

As emoções expressadas nas histórias gravadas conduziram-nos irremediavelmente a levar em consideração o conteúdo científico expresso com precisão e clareza didáticas no livro Realidade Emocional de autoria do Dr. Alfredo Soeiro, que faz parte do grupo de entrevistados e cujo desejo profissional, além de vocaGional basco (atualmente é presidente da Federação de Pelota Basca no Brasil), possibilitou que usufruíssemos da valiosa contribuição de seu conteúdo, como parte integrante do trabalho que realizamos, traduzido ao euskara com o título de Errealitate Zirraragarria; tradução realizada por Arantxa Ugartetxea.

Errealitate Zirraragarrai traz luz científica e compreensão ao trabalho realizado. Deixa bem claro que a realidade é sempre emocional, porque está baseada no caminho que percorremos a partir da percepção das sensações que vivemos, até suas interpretações. Na emoção estão sempre presentes os diversos ambientes culturais dos quais procedemos e aqueles aos quais chegamos. Particularmente, esse componente emocional, que reside em toda a realidade, é o motor das diferentes transformações que experimentamos nessa constante busca da realidade que desejamos alcançar.

O espaço temporal e histórico próprios dessa realidade sobre a qual refletimos é o Brasil. Por isso, Elça Martins apresenta, de forma concisa e lúcida, sob o título A construção da identidade, os componentes históricos, geográficos, sociais etc... e culturais desse país singular. Faz uma análise muito interessante dessa identidade plural brasileira e leva-nos a vislumbrar a nova identidade basco-brasileira, como uma realidade extraordinária, em que a 'origem permanece revesti da de novas possibilidades através dessa "outra" cultura que pouco a pouco vai séndo assumida como uma forma de ser.

Elça Martins vive de forma integrada a cultura brasileira e espanhola. Admira e sente-se atraída por nossa cultura basca, a qual teve oportunidade de conhecer de perto em suas viagens a Euskal Herria. Viveu sua contribuição a este trabalho com emoção e seriedade profissional, aproximando-se a esse "ser basco ou basca" que ela percebe e respeita. De maneira especial, lhe agradecemos sua disponibilidade em ajudar-nos a traduzir para o português tudo o que aparece expresso nesta língua, além de suas próprias palavras.

Como dissemos anteriormente o léxico e a palavra viva foram, além do pé em terra firme, também, o ponto de partida do capítulo Euskaldunak Brasilen. Estebe Ormazabal, com uma capacidaded distributiva da história e do tempo, apresenta-nos com grande sensibilidade a passagem dos bascos pelo Brasil, de maneira naturalmente euskaldun (basca) e atrativa. Neste trabalho não aparecem todas as entrevistas realizadas, porque, além de muitas serem semelhantes, o texto ficaria pouco ameno para os leitores com interesses diversos.

Entretanto, Estebe Ormazabal soube fazer uma seleção representativa que nos ajuda a nos colocarmos pessoalmente nelas. Esperamos que ninguém se sinta excluído, porque a palavra de todos e de todas foi fundamental na elaboração completa deste trabalho. Sem esse variedade de vozes ouvidas não seria possível fazer uma valorização pedagógica do que, na realidade, sup´┐Ż o caminho histórico percorrido pelos bascos no Brasil. Cada história pessoal faz parte dessa realidade histórica basco-brasileira. Nosso agradecimento sincero a todas e todos que nos ajudaram. Sentimos que formamos uma só voz de riqueza musical específica e diversa, graças às histórias pessoais das que somos protagonistas. A ambientação histórica das diferentes pessoas citadas é clara e ajuda muito bem a situar-nos na época. Em nenhum momento, tivemos a pretensão de fazer um trabalho histórico exaustivo, mas dar um passo à frente para que outros e outras continuem e aperfeiçoem o trabalho realizado.

Meu interesse principal foi aprofundar-me na cultura da viagem, colocandome para faze-Io na expressão lingüística própria do Brasil quando falo a partir de uma emoção brasileira; e na basca a partir de euskal zirraratik. Levamos sempre em consideração o castelhano, assumindo-o na maioria das entrevistas como meio de expressão geral e espaço comum de encontro. Desta perspectiva, está escrito o texto que corresponde a Leitura pedagógica.

Levando em conta Errea/itate zirraragarria e tendo como fundo musical as palavras, voltei de alguma maneira a realizar a viagem, a contrastar a casa e a rua, refletir sobre os papéis sociais, o euskal etxea, o próprio léxico, a cidadania estrangeira, o lúdico em sua representação basca mais genuína o "frontón", isto é, sobre acontecimentos ocorridos sempre entre o ponto de partida (origen) e o de chegada (a nova terra). Aproximando-me às palavras do autor diria que: tentei viver a reversibilidade da realidade basco-brasileira, refletindo sobre as sensações e suas interpretações, e, tendo sempre presente o sonho pedagógico cada vez mais real dessa co-emoção basco-brasileira.

Elça Martins, Estebe Ormazabal e Arantxa Ugartetxea, criamos estes textos, tentando com dedicação e sensibilidade profissional, fazer o leitor ou leitora partícipes deles, dessa diversidade cultural que é o Brasil, ao qual chegaram e continuam chegando bascos e bascas. Se a emoção é parte da realidade, esperamos com estas poucas palavras não criar indiferença, antes o contrário. Temos um belo país à vista com múltiplas sensibilidades culturais, onde a nossa pode sentir, emocionar-se e conviver, entre outras coisas porque a própria pluralidade já está na origem de nossa própria cultura basca. Alguém em alguma ocasião disse-me que estava surpreso com o fato de que no País Basco, num espaço geográfico tão pequeno, houvesse tanta variedade geográfica, cultural e lingüística. Nossa origem e esta diversidade creio que são um bom passaporte para compreender melhor a real emoção desse cidadão basco-brasileiro.

Arantxa Ugartetxea Arrieta